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Comunidade

Comunicado da Equipa de Curadores da Comunidade Meshtastic Portugal

Esclarecemos a nossa posição sobre as mensagens anónimas com links ao nosso site, a polémica das frequências e as insinuações dirigidas à Comunidade Meshtastic Portugal.

CC
Curadoria Curadores Comunidade Meshtastic Portugal
18 julho 2026 7 min de leitura

Hoje foram divulgadas mensagens transmitidas por um nó denominado “meshbot”, acompanhadas por um endereço que encaminhava para a calculadora de potências disponibilizada no site da Comunidade Meshtastic Portugal.

Na sequência dessas mensagens, o MeshCore Portugal publicou um alerta classificando-as como falsas e potencialmente capazes de conduzir os utilizadores a configurações incorretas ou ilegais.

A Comunidade Meshtastic Portugal esclarece, de forma inequívoca, que não criou, não autorizou, não enviou e não promoveu essas mensagens.

O nó denominado “meshbot” não pertence à nossa comunidade, não é um canal oficial e não representa os seus responsáveis. O conteúdo transmitido não foi escrito por nós nem divulgado com o nosso conhecimento e o facto de a mensagem encaminhar para uma ferramenta alojada no nosso site não altera absolutamente nada.

A calculadora de potências é uma página pública, acessível a qualquer pessoa e cujo endereço pode ser copiado, partilhado ou incluído numa mensagem por qualquer utilizador. Um link para o nosso site não é uma assinatura digital, não identifica o autor da transmissão e não demonstra qualquer relação entre o operador do nó e a nossa comunidade, da mesma forma que alguém incluir um link para o nosso site numa mensagem não transforma essa pessoa em membro da Comunidade Meshtastic Portugal ou que partilhar um link da ANACOM não transforma ninguém num representante da ANACOM.

Aliás, o efeito evidente da utilização desse link é precisamente criar uma aparência de legitimidade e levar os leitores a associar a mensagem à nossa comunidade.

Não sabemos quem enviou as mensagens e não faremos acusações sem provas. Não iremos insinuar que foram enviadas pelo MeshCore Portugal, por um seu membro ou por qualquer outra pessoa em particular, porque não dispomos de elementos que sustentem semelhante afirmação. É assim que deve funcionar uma comunidade responsável: quando não existe prova, não se inventa uma autoria conveniente.

É, por isso, lamentável que o comunicado publicado hoje não tenha separado de forma clara duas realidades muito diferentes. Por um lado, a existência de uma mensagem não oficial que usou um link público da nossa comunidade; por outro, as divergências que estavam a ser discutidas sobre frequências, configurações por defeito, duty cycle e coexistência entre MeshCore e Meshtastic.

O contexto em que tudo aconteceu não pode ser ignorado.

As mensagens apareceram precisamente num momento em que estava a ser debatida a possibilidade de o Meshtastic adotar por defeito uma configuração semelhante à utilizada pelo MeshCore Portugal e já testada por comunidades Meshtastic em Espanha, incluindo na zona EA7. Essa possibilidade parece ter sido recebida não como uma questão técnica a analisar, mas quase como uma invasão de território.

Chegou mesmo a falar-se numa frequência “nossa”, como se uma comunidade adquirisse direitos de propriedade sobre uma parcela do espectro apenas por a utilizar há algum tempo. Não é assim que funciona uma banda partilhada.

O MeshCore Portugal tem o direito de utilizar configurações legalmente permitidas. O Meshtastic também. Outros projetos, redes e equipamentos possuem exatamente o mesmo direito. Uma frequência não se torna propriedade privada porque alguém nela instalou repetidores, publicou documentação ou decidiu adotá-la como configuração preferencial. Não existe escritura predial do espectro nem existe direito de preferência baseado na antiguidade. Para além disso, não existe qualquer obrigação de um projeto internacional pedir autorização informal a uma comunidade local antes de estudar ou adotar uma configuração legal.

É perfeitamente legítimo discutir os possíveis efeitos da coexistência entre tecnologias. É legítimo estudar interferências, colisões, ocupação do canal e desempenho. Também é legítimo defender que outra solução seria melhor.

O que não é legítimo é transformar essa discussão numa disputa de propriedade ou sugerir que a mera utilização da mesma zona constitui uma provocação.

Também foi referido um denominado “estudo técnico” publicado pelo próprio MeshCore Portugal, apresentado como suporte para algumas das posições assumidas. Não contestamos o direito de o MeshCore produzir e publicar estudos. Toda a informação técnica pode contribuir para uma discussão mais informada. Contudo, um documento elaborado e publicado pela própria parte interessada continua a ser uma análise da própria parte interessada. Pode conter elementos úteis. Pode apresentar cálculos corretos. Pode merecer consideração. Mas não é uma certificação, não é um parecer da ANACOM, não é uma decisão regulatória e não é uma validação independente. Muito menos concede qualquer exclusividade sobre uma frequência partilhada.

Foi ainda classificado como realizado “em cima do joelho” o trabalho apresentado por elementos associados à Comunidade Meshtastic Portugal. A expressão é depreciativa, mas tecnicamente vazia. Serve apenas para desvalorizar o trabalho dos outros sem assumir o incómodo de o rebater ponto por ponto.

Não consideramos o nosso trabalho infalível. Existindo erros, deverão ser identificados e corrigidos. Mas uma frase condescendente não constitui uma análise técnica, da mesma forma que um título pomposo não transforma automaticamente um estudo interno numa verdade oficial.

Também não passou despercebida a discussão relativa às configurações do LusoFW.

Foi questionado por que razão determinados equipamentos apresentavam um valor de duty cycle diferente daquele que os utilizadores esperavam, tendo sido respondido que cada operador de repetidor deveria saber utilizar a linha de comandos e configurar manualmente o equipamento. No entanto, no próprio grupo, um utilizador afirmou que os seus repetidores estavam corretamente configurados e que, depois de uma atualização OTA, se viu colocado numa configuração que considerava ilegal, sem esperar ter de rever parâmetros anteriormente definidos.

Esse relato não permite, por si só, tirar conclusões gerais sobre todos os equipamentos ou todas as versões do firmware. Permite, no entanto, demonstrar que a pergunta colocada não era absurda, inventada ou uma tentativa de criar problemas onde eles não existiam.

No entanto, é curioso verificar que quando a discussão envolve configurações do próprio LusoFW, a responsabilidade parece pertencer inteiramente ao utilizador, que deveria conhecer os comandos, validar todos os parâmetros e confirmar cada alteração. Já quando aparece uma mensagem anónima com um link para a nossa calculadora, essa mesma preocupação é apresentada de forma suficientemente vaga para que a suspeita recaia sobre a Comunidade Meshtastic Portugal.

A exigência de prova parece variar de acordo com a direção em que se pretende apontar o dedo.

Repetimos: a Comunidade Meshtastic Portugal não enviou as mensagens.

A nossa calculadora é uma ferramenta pública. Qualquer pessoa pode copiar o seu endereço. A utilização desse endereço por terceiros não representa autorização, colaboração ou autoria da nossa parte.

Não recomendamos que nenhum utilizador altere configurações com base em mensagens anónimas. Não recomendamos que se confie num nó apenas devido ao seu nome. Não recomendamos que se abram ligações sem confirmar previamente o destino e a origem da comunicação.

Mas também não aceitamos que a utilização abusiva de um link para o nosso site seja transformada, através de contexto, timing e entrelinhas, numa forma de nos associar à mensagem.

Não fazemos exigências ao MeshCore Portugal, não pedimos retratações e não procuramos prolongar uma disputa entre comunidades, mas também não pedimos autorização para continuar a desenvolver, estudar e utilizar Meshtastic dentro das condições legalmente aplicáveis. O MeshCore Portugal poderá continuar a publicar os seus comunicados, estudos e opiniões. Nós continuaremos a apresentar os nossos dados, ferramentas e pontos de vista.

Os leitores têm agora os elementos essenciais:

  • As mensagens não foram enviadas pela Comunidade Meshtastic Portugal.
  • O link utilizado encaminhava para uma ferramenta pública do nosso site e podia ser copiado por qualquer pessoa.
  • Não existe prova de que o operador do nó tivesse qualquer ligação à nossa comunidade.
  • A utilização de uma frequência partilhada não concede direitos de propriedade sobre ela.
  • Um estudo produzido por uma das partes não constitui uma decisão independente.
  • E chamar “em cima do joelho” ao trabalho dos outros continua sem demonstrar que esteja errado.

Não precisamos de indicar aos leitores o que devem concluir. Ao contrário de certas mensagens, confiamos que conseguem fazê-lo sozinhos.

A Equipa de Curadores da Comunidade Meshtastic Portugal